domingo, 5 de abril de 2015

Para o baile



Vai cegueira da paixão no caminho a flutuar
De cabelos ruivos e papelotes em festim
Adornados nuns  ganchinhos de rubi
E um caldeirão d’ aroma  lírio a saltitar

De  vestidinho  cai, cai levezinho,  sem o xaile
Num  tom sol posto forte,  padrão de junquilhos
Voa, voa intermitente o pestezinho até aos joelhos
N’oviés  molde de propósito para o baile

E o batom rouge a faíscar nos lábios
Mais a  chicla tropical em explosão na boca
E entreter  trémulas de fogo pra te beijar

E já nos teu braços hercúleos
Para sempre meu amor,  ânsia louca
Somos  onda de paixão do tamanho do mar

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 04 de abril de 2015





sexta-feira, 3 de abril de 2015

Subi à montanha

No lusco-fusco de louca esper’ a meditar
Subi à montanha sagrada de mescla cor
Jorrar marés laroucas em esplendor
Num milionário embrião de beijos a espreitar

Eis um tapetinho d’ amor com franjinhas
N’abraços loucos e fofos cresce a malha
Sensualíssimo entre línguas na batalha
E os corpos coladíssimos sem ladainhas

Elaborei  tudo naquela montanha a leste
Pequei um pouco mas meditei ao senhor
Adivinhaste, talvez fosses vidente e vieste

E com pena de mim vero e puro, eis-te
Eis-te  enxurrada d’ amor sem sabor
E lavei-te n’esperas  finitas e morreste.



Funchal, 03 de abril de 2015
Maria Luzia Fronteira