domingo, 7 de setembro de 2014

É urgente

É urgente o encontro à noite na lua pálida e marota
E a lenda pagã d’ argila rara nos campos a decompor
Sem aritmética poética é urgente o poema no desamor  
O capricho pupilo na língua arrebatada, sabida e solta

É urgente o alegra campo no teu corpo rosicler, exato
O musgo na casinha de pedra a bulir efémeras de paixão
Vestida de prata, a voz coloquial em ternuras d’explosão
Ambar e almiscar eternos nós dois de tanto sentir abstrato

É urgente espessas mágoas à solta sem sóis no beiral
O dorso vergado na poeira do lírio, a alma do avesso
É urgente a morrinha, o lema, o poeta de gema, o verso
D’ improviso  no vario universo de matizes imortal.



Maria Luzia Fronteira

Funchal, 07 de setembro de 2014