sábado, 9 de agosto de 2014

Tique




De raiz em romaria vai península
Vai de treva e tormenta vestida
Nos miolos leva focos d’ermida
N’alma faróis de forja, campânula

Nos dedos leva teoremas marinhos
Na íris bendit’ um cruzeiro de sal
Na boca esguia um tropel de cal
E no peito nostalgias em raminhos

E vai dar ao ancoradouro crónico
E vai dar ao altar de pedra razia
Espuma de véus, esfinge d’ enredo

Algo porém sobe ao tique paranóico
Não obstante na cruz e a palma vazia
Coleio no cio entre a lu’ aconchego

Funchal 09 de agosto de 2014


Maria Luzia Fronteira

2 comentários:

Fernando Reis Costa disse...

Belo soneto.
Os meus parabéns.
Abraço para a Madeira!

Maria Luzia Fronteira disse...

Muito grata Fernando pelo carinho.Abraço pra vc também!