quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Do pergaminho à chalé


Sai do arraial enquanto sai a procissão
E distrai a pedra bruta e o espinho vil
De saltinho em saltinho larouco e gentil
E pass' a vereda baça e tola no brasão

Eu cá vou pelo caminhinho enxuto de pedra
Trajando sainha de chita, sem véu e sem xaile
De blusinha decotada catita costurada pro baile
Teimos’o pomar rústico saltita rebeldia medra

Pr’ o nosso leito levo nas mãos o sol a pino
Lírios alvos de quintais rústicos da população
E um ósculo ensaiado da cabeça ao pezinho

Enquanto chego, não chego ao teu pé toca o sino
Lameloso de saudade n’ uivos telúricos d’emoção
Basta! E levo champanhe a ferver pelo fresquinho


 Funchal, 27 de agosto de 2014

Maria Luzia Fronteira 

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