segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Aos noivos

Entr’o candelabro vai cais fulgor em maresia
Sobr’a tardinha febril níveas cenas de luxuria
Arregalos através, tão tocar gentil d’aleluia
Nos corpos tenros, qual sacríficio s’ atrevia

Exímios ao altar de vestes cerimoniais n´alarde
Os corpos em aflição, amiúde virgens ensaiados
Um beijinho dissimulado tu e eu, desembaraçados
Em pecados ant’o términus da benção do sr. padre

E  as faces pariam pérolas salgadas filosofais
O véu em câmara lenta alevantando, casados
E as alianças d’oiro puro faíscando, até à morte

Sem as vestes após o copo d’agua, ao céu fatais
Sem a langerie sequer, tu e eu nusinhos e caídos
Míticos de tão glória ai benesses, de tão sorte

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 06 de março de 2013


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