segunda-feira, 7 de julho de 2014

Minh’alma


Minh’alma é serventia, já sem graça
N’aberta janela de brisa morrinha
No palco, a plateia, um’andorinha
Que desce e sobre, sobe e desce lassa

Meu amor, hall d’entrada de loas tamanhas
Entre partes do corpo que t’ espreitam tímidos
E lavandas a miúde entre aromas mil, esvaídos
Num mar salso de lu’arteir’a traçar montanhas

E há licores de mel nos lábios de cieiro
Eu sei, oh estranha sina, tu que moras além
Oh dos subtemas entre mil mias de vaivém

E deambula minh’alma nesse formigueiro
Que sai de casulo puro, inocente e virgem
Como caíd’ à nascença aos pés de minha mãe.



Funchal, 01 de julho de 2014
Maria Luzia Fronteira


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