terça-feira, 29 de julho de 2014

Castigo


Caminho na pedrinha atirad’ao telhado
À hora exata, um verso no papelinho
Debruçad’ à janela, véspera de domingo
O fato no arejo para a missa, engomado

A  calçinha de terylene, à boca de sino
Vincada a pente fino e a blusinha tafetá
Sapatinho de cortiça olh’a graça que lhe dá
Ao pezinho a saltitar beligerant’o vespertino

A caminho da igreja o assobio m’esmorece
Repent’ uma caríci’a enlouquecer a cabeça
Gazeada a hora da missa e da catequese

Jesu de volta a casa, incumprida a prece
Castigo do senhor padre à falta de presença
Mil terços no quarto, o corpo a salvo agradece.




Funchal. 27 de julho de 2014

Maria Luzia Fronteira



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