terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bradasse eu



Bradasse eu suspiros como bradaram tais mitos
Úberes e finos arrevesos na terra, em romaria
Feitos apocalipses e odisseias mediant' agonia
De voga intrínseca, oh mais-valia, ditos inéditos

Pudesse eu ser um atrofio no tempo, sem amor
Traçar, rastejar eriçar flexuosamente como réptil
Procurar içar lugares sem nunca encontrar, febril
Explodir abril em cotovias etéreas ousadias à dor

Quisesse eu ser assim, esse tal poeta de verdade
Na herdade do descaso, ser eiró de canto a canto
Ser antro, ser tristeza,  fado marado, ser saudade

Fiasse eu vales sob o anil do céu tear de cinzas mil
E gritasse, amor gentil, amor fugaz, amor fatal e tal
Em anáforas de refrão, amor em nuances d’ imbecil

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 11 de dezembro de 2012


2 comentários:

Filipe Campos Melo disse...

Fossem os mitos versos
Fossem os versos exactos reflexos
Fosse a chuva apenas uma palavra mil vezes molhada

Não fosse a poesia uma
"anáfora de refrão amor,
amor em nuances d’ imbecil"

Poderoso e impressivo
uma formulação singular
com os traços de qualidade que sempre encontro na tua escrita
que me soube muito bem reencontrar

Bjo.

Maria Luzia Fronteira disse...

Obrigado caro Filipe!
Tenha um feliz ano novo com tudo de bom...
bjo