terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bradasse eu



Bradasse eu suspiros como bradaram tais mitos
Úberes e finos arrevesos na terra, em romaria
Feitos apocalipses e odisseias mediant' agonia
De voga intrínseca, oh mais-valia, ditos inéditos

Pudesse eu ser um atrofio no tempo, sem amor
Traçar, rastejar eriçar flexuosamente como réptil
Procurar içar lugares sem nunca encontrar, febril
Explodir abril em cotovias etéreas ousadias à dor

Quisesse eu ser assim, esse tal poeta de verdade
Na herdade do descaso, ser eiró de canto a canto
Ser antro, ser tristeza,  fado marado, ser saudade

Fiasse eu vales sob o anil do céu tear de cinzas mil
E gritasse, amor gentil, amor fugaz, amor fatal e tal
Em anáforas de refrão, amor em nuances d’ imbecil

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 11 de dezembro de 2012