sábado, 3 de novembro de 2012

Vindima poética




No pelourinho das latadas há vides adultas, todas
Cochicando lêmures de lua grega sem mansidão
Sobre corgos de mil lâmias sem letícias d’ estação
 Na cartola do corpo, ai do gosto,em fermentação

E passam, que passam em romaria mil bestas,  demais
Carregadas de casta n’alva, n’escarlate  negror de cor
Em lepas de girândola avatar e febril, ai do nobre labrador
De marcianas míticas de galés a eito, oh carreiros ancorais

E pisa que pisa e repisa o passo no lagar, sem tradução
Organdi de mi nascente fugaz e tímida de fronte virginal
Sazonal que se esparrama, oh polpa ardil d’ imensidão

Tão vertigens de prado, ah embriaguez nos beiços alados
De brados, as mãos calejadas e tresloucadas como anzóis
De pés atascados e dorso vergado num lagar de bardos.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 04 de novembro de 2012



2 comentários:

armando oshiro disse...

Como sempre, prazeiroso e enriquece-me ler tuas poesias.
Abraços ternos,
Armando

armando oshiro disse...

Como sempre, prazeiroso e enriquece-me ler as tuas poesias.
Abraços ternos,
Armando