segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Trovador





Trovador, canta-me assim aquele canto corpulento e perene
E espalha essa magna voz, como um rústico terreno de Deus
Firmeza pura de mistérios, aviva-me estes hemisférios meus
Actínios por outros prazeres, canta-me em nívea voz de cisne

Canta sobre esta nossa plateia altiva, bela e fina em castas
Ah pomos purpúreos e negros de cerejas e amoras bravas
E atiça ainda assim ardentemente nossas vontades escravas
De vastos anseios pendentes nos apetites apenas cineastas

E sigamos deuses pela cambraia riquíssima da terrena floresta
Ai das veias tubulares, vivazes e aprazíveis, em lavas milhares
Sobre o leito vivo e doirado, a espreitar um coração em festa

Canta-me sem hesitações, oh trovador e percamo-nos nas cenas
Vivas em, oh soberbas de troféus adiados pelas astenias apenas
Rasguemos, ai de nossas vestes de basílica, sem mais cantilenas.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 05 de novembro de 2012


2 comentários:

armando oshiro disse...

Passei para ler-te!
Entrelaças as palavras como na textura da cambraia fina
E deixas um coração em festa.
Grande abraço,
Armando

Maria Luzia Fronteira disse...

Olá Armando!
Agradeço a sua visitinha aliada a tão belo comentário.

Abraço