segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Trovador





Trovador, canta-me assim aquele canto corpulento e perene
E espalha essa magna voz, como um rústico terreno de Deus
Firmeza pura de mistérios, aviva-me estes hemisférios meus
Actínios por outros prazeres, canta-me em nívea voz de cisne

Canta sobre esta nossa plateia altiva, bela e fina em castas
Ah pomos purpúreos e negros de cerejas e amoras bravas
E atiça ainda assim ardentemente nossas vontades escravas
De vastos anseios pendentes nos apetites apenas cineastas

E sigamos deuses pela cambraia riquíssima da terrena floresta
Ai das veias tubulares, vivazes e aprazíveis, em lavas milhares
Sobre o leito vivo e doirado, a espreitar um coração em festa

Canta-me sem hesitações, oh trovador e percamo-nos nas cenas
Vivas em, oh soberbas de troféus adiados pelas astenias apenas
Rasguemos, ai de nossas vestes de basílica, sem mais cantilenas.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 05 de novembro de 2012


domingo, 4 de novembro de 2012

Vamos amor




Amor, vamos pel’alegre mira que se avizinha, vamos
Até ao lume da montanha, sem o cambapé e a fuinha
Das parolas malignas do juá-de-las vinhas e companhia
Antes q´ o sol s’ alevante da soirée, arteiros prossigamos

Acordemos … pé ante pé, às mirras labíadas e polvorosas
D’ aromas, às boninas carnosas de folhadal verde imaculado
E entremos de soslaio ao de leve canto, oh  amante meu arado
Campo de zéfiros floras de suspiros, oh das carnes graciosas

Abracemo-nos confiantes no porvir , qu’é  breve e arroteemos
E invistamos nossas bocas n’ ósculos imaturos plo’ solstícios
Apelando aos pelouros manjares lascivos em nós, desusados

E já na última peripécia do evento sem receios, avancemos
Lambuzemo-nos do cabeçalho ao rodapé em exercícios
E confessemos nossos corpos possantes de tam pecados.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 04 de novembro de 2012 

sábado, 3 de novembro de 2012

Vindima poética




No pelourinho das latadas há vides adultas, todas
Cochicando lêmures de lua grega sem mansidão
Sobre corgos de mil lâmias sem letícias d’ estação
 Na cartola do corpo, ai do gosto,em fermentação

E passam, que passam em romaria mil bestas,  demais
Carregadas de casta n’alva, n’escarlate  negror de cor
Em lepas de girândola avatar e febril, ai do nobre labrador
De marcianas míticas de galés a eito, oh carreiros ancorais

E pisa que pisa e repisa o passo no lagar, sem tradução
Organdi de mi nascente fugaz e tímida de fronte virginal
Sazonal que se esparrama, oh polpa ardil d’ imensidão

Tão vertigens de prado, ah embriaguez nos beiços alados
De brados, as mãos calejadas e tresloucadas como anzóis
De pés atascados e dorso vergado num lagar de bardos.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 04 de novembro de 2012