domingo, 28 de outubro de 2012

No mais que perfeito




Amor ainda que seja rigorosa a noite, no caudal d' emoção
Está atento, se por acaso passares entre o pastoril nosso
Aquele de rara candura em extravio no fundo dum poço
Traz tudo o que houver, até de mirras, o que tiveres à mão

Traz aromas, os das flores das acácias das veredas gentis
Os retalhos roxos das flores de violeta, entrelaçadas nas heras
Valentes barrancos, agora arcaicos bolorentos de quimeras
Malhadas d' infinito amor em desacatos, esgotados e confins

Traz também a grinalda dos corpos alucinantes bravos
O cós de loucuras, de prazeres constantes em desalinho
E a terra morna  da primaver' agora d' outros brados

E posições alternadas no pré-destino de suor escorrido, nosso
O êxtase e o clímax, os recuos e avanços desse nosso ninho
Resistente às intempéries, ah e traz a avé maria e o padre-nosso.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 28 de outubro de 2012