quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ah, gosto da tradição




Ah gosto da tradição, do arcaico nos terreiros
Calcetados a pedra de calhau, trabalhados
E gosto dos campos amplos metamorfoseados 
Por entre os mais galantes verdes clorofilados.

E gosto das estacas nas latadas repousand’
O plantio dos vinhais imensos e a ponto mor
Ah gosto da tradição, da sombrinha nos amantes
Acoplados nos imaturos beijos e abraços do amor.

Oh das aragens e dos arados, do seu condão
E gosto da transmutação do sereal no pão
Do mosto no vinho sobre a mesa fidalga
Ah e do brinde no copo de cristal, afrodisíaco.

E gosto mais ainda de Deus indecifrável
Presente no sol, na lua, n’ água e na terra
Ah, gosto da fidalguia do universo em tournée
Lançad’ao tam subjetivo elemento…agente.

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 06 de junho de 2012

4 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

O amor no campo!
Delicado verso. As comparações e figuras ficaram excelentes!

Grande abraço,
Jorge

Jota Effe Esse disse...

Gostei dessa poesia abordando as coisas da terra. Meu beijo.

Filipe Campos Melo disse...

Gosto do verso e do mundo que o forma

Belo e impressivo.

Bjo.

Expedito Gonçalves Dias disse...

Delícia de poema!
A tradição perene do amor está presente em cada verso.
Passei hoje e voltarei com certeza.
Feliz Dia do Amigo!