sábado, 26 de maio de 2012

Tramas




Tramei as regras e as superstições, em mim
E rasguei o véu branco pré-nupcial
E ao desejo suplicante, mandei-o apique
E poisei o meu tique abismal, pontual, assim:

Pintei o cabelo num tom extravagante
Vesti uma roupa xique em cores de néon
Calçei socas de camurça em tom de mel
Usei a mala, a pintura e o perfume de chanel.

Embarquei pela noite adentro e parti a bruma
Ponto. E ordenei ao planeta das esperas, basta!
Deixei a servil picareta dos dedos, poisei a caneta
E escrevi um poema em página nenhuma.

E ao estupor lirico do coração severo
Cantei decididamente adeus, ou até breve
Talvez, quem sabe do involúcro vindoiro
E o que será, infusão lírica? Jamais a quero!

Maria Luzia Fronteira
Funchal, 26 de maio 2012